quarta-feira, agosto 05, 2009

Tchau, Lemão.

Posted in by Eudes Raony. |

Cheguei de viagem, feliz, cansado, doido para chegar em casa e encontrar todas as pessoas que amo. Olho para a porta, mas ele não estava lá para me receber. Olho para minha cama, mas ele não estava lá deitado como de costume. Lágrimas. Muitas lágrimas. Como nunca mais tinha chorado. O animal mais lindo desse mundo tinha morrido.

19 de Fevereiro de 2007. A vida de nossa família estava normal. Normal é uma boa palavra, visto que ela sempre parece traduzir um estado de monotonia. De repente, algo incrível acontece sem que pedíssemos (na verdade estávamos fugindo disso).

Nossa gatinha, Hannah, siamesa, antes que nos programássemos para deixá-la estéril, engravida. Uma dor de cabeça. O que faremos?

"-Tia pode ficar com um"
"-Vamos jogar no trabalho de painho"
"-Leva pra Mulungu"

De repente, nascem três gatinhos. Acompanhamos todo o processo. Fantástico. Ele foi o primeiro. Enorme. Mostrando que não era apenas mais um gato no mundo. Depois nasceu uma gatinha pequeneninha e outra gatinha pequeneninha. Ele era duas vezes maior que os outros gatos. Ninguém conseguia olhar para mais nenhum outro.

















Na época, estava passando Big Brother. Como não tinhamos pretensões de ficarmos com nenhum deles, pusemos os nomes de "Fani", "Íris" e "Alemão". O nome de Alemão, porém, parecia ter nascido para ele. Gigante, loirão, imponente.



Assim que nasceram, tentávamos brincar com as gatinhas, alisando-as, dando bolinhas, colocando nas mãos. Logo elas começavam a miar querendo sair, sem nos mostrar o menor interesse. Alemão, porém, aceitava tudo. Na verdade, parecia que nossas mãos tinham sido projetadas para acariciá-lo. Na primeira semana não restava dúvidas: Ele já era da família. Nem lembro o que fizeram com as outras gatinhas. Não interessa.


Ele foi muito sacana. Não houve um processo de crescimento da paixão. Ele veio e se enfiou dentro de nós, deu dois giros em torno do seu próprio eixo e deitou, apoiando sua cabecinha em nosso coração como se ele fosse um travesseiro.


Quando ele bagunçava tudo ao seu redor para conseguir um lugar confortável para dormir; quando ele se deitava em cima de alguma roupa recém engomada; quando ele trazia calangos ou passarinhos que caçava para casa; quando ele expulsava a mãe dele de algum lugar só por pirraça; quando ele usava as coisas mais inusitadas como travesseiro; quando ele usava o travesseiro como travesseiro; quando ele, do nada, deitava em cima da cabeça da gente; quando ele apoiava a patinha no rosto da gente; quando ele tomava banho e ficava a coisa mais cheirosa do mundo; quando ele tomava banho e já ia direto para o mato se sujar de areia; quando ele intimidava todos os outros gatos da rua; quando ele intimidava os cachorros da rua; quando ele simplesmente não fazia nada além de mostrar sua carinha linda. Tudo me faz sentir saudades demais. Me faz chorar demais (sabia que isso ia acontecer quando viesse a escrever).




















Agora não tem mais volta. Ele foi embora. Como tudo nessa vida. A única coisa que posso dizer é: Obrigado, meu Deus. Obrigado por ter colocado uma vida tão linda entre nós. Obrigado por ter sido nossa a família escolhida para receber este presente. Obrigado por ter sido minha cama a escolhida por ele como preferida. Obrigado, meu Deus!

Quando fui viajar, nem me despedi de ti. Pensei que estarias ainda por aqui. Desculpa. Tchau, Alemão. Tchau, meu lindo. Te amei demais. Te amo pra sempre.

6 Comments


  1. Rayane e Selma

    sem palavras, apenas lagrimas em nossos olhos... por selma e rayane

    10:59 AM

  2. m says:

    muito lindo!

    12:00 PM

  3. Juh... says:

    caraca rony! abalou as estruturas aih...

    nunca gostei de gato na vida, acho dificil entender essa relação que as peessoas criam com seus animais, mas juro...o texto balançou ate meu coração de pedra!
    rs
    ;*

    2:33 PM

  4. Mila says:

    Que coisa triste... Ele era lindo. O texto também balançou meu coração. =~~

    11:42 AM

  5. cacau says:

    Nossa raony ! Meus olhos encheram de lagrima... mas pense q gatinho fofo viu?? LIndo lindo, eu ja tive um alemao mas nao era docil assiM nao.. uma gata de rua deu cria a 4 gatinhos (1 macho e 3 femeas) passamos 4 meses com eles, bagunçando aki qm casa mas...pela bagunça tive que deixa-los no mercado!!
    Passei um tempo acompanhando com eles cresceram, mas depois nunca mais os vi !
    BJo

    10:21 PM

  6. Roberta Silva says:

    Era só um gato Raony!

    Tá, tudo bem eu chorei também.
    Droga!

    10:39 AM