domingo, junho 14, 2009

Seis Meses de Mirela

Posted in by Eudes Raony. |


É incrível como as coisas de que nós mais temos apego são exatamente as que não conseguimos expressar em sua totalidade.
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Isso me faz perceber que os poetas devem ter nascido sem esse interruptor da declaração explícita do sentimento. Este fato explica também o porque dos colunistas só escreverem sobre o que não nos interessa: eles são iguais a nós.
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Enrolando, eu? Tudo bem. Vamos lá.
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Hoje, dia 14 de Junho de 2009, um Domingo. Seis meses atrás, nas areias da praia de Cabo Branco, pedi Mirela em namoro. Uma reflexão, uns exclarecimentos, um lindo sim. Uma oração, pedindo que Deus abençoasse nosso namoro. Uma lua cheia enorme e amarelada, banhando um dos dias mais felizes da minha vida.
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Quando pedi que Deus abençoasse o namoro, parece que não levei a sério o que eu próprio tinha pedido. Ele exagerou demais! Ele nos encheu com felicidade na mesma proporção em que um novo rico se enche de ouro. Tudo começou fantasticamente lindo... cada vez nos apaixonando mais e mais. Se Glória Perez visse-nos, seríamos os próximos personagens da novela das nove.
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"-AAAhhhhhhh, isso é coisa de relacionamento novoooo"
"-AAAhhhhhhh, espera pra tu ver!"
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Depois de seis meses repletos de AAAhhhhhhh, e de nosso namoro continuar num crescente emocional geometricamente progressivo, nunca tive tanta certeza de que a Srta. Coelho é minha outra metade. Agora sim, aprendi o que é o verdadeiro amor.
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Amor. Volto-me à divagação sobre os poetas e colunistas:
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Cristina Guedes
(colunista)
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Nosso amor é uma reprodução ampliada da cópula entre o espermatozóide e o óvulo se interpenetrando. Por obra do amor, saímos do ventre e queremos voltar, queremos uma "reintegração de posse" de nossa origem celular mais feminina, indo até a dança primitiva das moléculas. Então, somos grandes células que querem se reunir, separados pelo sexo, que nos dividiu ("sexo" vem de "secare", em latim: separar, cortar).
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Luiz Vaz de Camões
(poeta)
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
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Percebe a diferença? Particularmente, penso que o Camões tenha se aproximado ligeiramente mais do que sinto. Até por ele mesmo ter assumido a inspiração no Livro dos Livros (vide 1 Corintios 13).
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Estou enrolando novamente? Tudo bem.
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Mirela, eu te amo demais. Você é importante demais para mim. Eu quero você para o resto da minha vida. Quero te ver velhinha e cheia de prega e quero te beijar mesmo assim, porque sei que suas pregas encaixarão perfeitamente nas minhas, assim como hoje 'teu corpo combina com meu jeito'. Que esses seis meses virem sessenta anos.
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Já disse para vários aniversáriantes: "Olhe, não vou desejar que você continue sempre assim porque, além de ser clichê, todas as pessoas tem alguma coisa com o que mudar".
Hoje, a certeza do amor que tenho, além de todas as coisas, me faz perceber que você é a única pessoa que eu diria: Mirela, seja sempre assim. Porque eu amo tudo em você. Tal qual Isabela foi feita para a janela, João Hélio foi feito para o asfalto e o Padre feito para as nuvens, você foi feita para mim.
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Certo. Cheguei ao estágio em que começo a falar besteiras. Por isso acabo por aqui.
Te amo. De verdade.

2 Comments


  1. Mirela

    EU TE AMO!!

    11:25 AM

  2. cacau says:

    E um perfeito Poeta !!!Abraços Migo

    9:08 PM